
A verdadeira é USA, as chinesas não prestam. Avise-me quando chegar, vou buscar e não se preocupe, pago o taxi! :)
Ela já passou por aqui, no Brasil, algumas vezes. Olhe só:
- Não é justo o que vocês estão fazendo comigo. Nunca foi assim. Nunca tive a primazia nas discussões. Quando vocês me deixavam falar primeiro era só pra sacanear depois. Tudo combinado, de caso pensado. Pois bem, eu é que tenho um mundo de perguntas a fazer. Não se trata mais de putaria, leviandade. O que está acontecendo aqui é da maior importância para Altamira, para a Amazônia e para o Brasil.
Essas coisas só se sabem como começam e, às vezes, o resultado final. Progresso, riqueza, desenvolvimento, energia, indústria, universidades, novos horizontes para as gerações futuras. É conhecido, o antes, e previsível o depois, como um moinho. O grão bruto antes e o pão depois. Tudo o que fica no meio é esmagado. Vira pó, farinha. E é essa farinha que vai permitir que haja o pão, o bolo, o espaguete, o brioche. Diante da iguaria quem se lembra da espiga, ou mesmo do grão? Houve um tempo em que cheguei a pensar que havia pé de macarrão. Já adulto foi que descobri que maisena era feita de milho. Não que aceite a teoria da necessidade de quebrar os ovos para fazer omelete, mas tem sido assim em todo o Mundo. Com ou sem violência.
O marasmo, a inércia, até por definição, apenas conduzem ao atraso. Lutar pela permanência do status quo ante é remar contra a maré. O máximo que resta é estarmos preparados para conduzir o processo e amenizar os impactos. Administrar as contradições. Proponho uma postura cartesiana: dividir o objeto do estudo para melhor compreensão. Partir do mais simples para o mais complexo…
- Ora não fode Herodes porra! Meu ouvido não é penico, interrompeu impaciente o Helio Miguez. Não é para ouvir essa merda de discurso acadêmico que estamos aqui onde sempre estivemos, desde meninos, na beira do Xingu. Pra ver a banda passar, ninguém precisa da tua opinião. Eu vou tirar o time. Ajudar a Mundica a fazer vinagre de manga dá mais futuro.
Ele, quando estava com raiva, chamava a mãe de Mundica.
- Demora aí, Helio. Foi mal. Passa a régua. Falei merda.
Inexplicavelmente o Eduardo Besouro veio em meu socorro.
- Deca, desde o início, quando começaste a falar bonito, latim e René Descartes, que sacamos que estavas em bundas, querendo ganhar tempo. Só o Helio Miguêz pegou corda. Nem notaste nossa cara de gozação. O Dimas fez menção de contestar, mas dei-lhe um beliscão. Queríamos ver até onde ias chegar. Esse discurso é mais velho de que a posição de cagar. Todo mundo sabe que não é isso que tu pensas. Podes até te empolgar como muitos de nós, mas no fundo, o velho Xingu fala mais alto. Vamos dar um tempo, mudar de assunto. Por enquanto.
- É isso aí, concordou o Afolemado. Pra começar, conta a cagada de como a revolução de sessenta e quatro te apanhou.
- Revolução o caralho. Golpe! Retrucou o Eduardo que não deixava passar nada.
- Tá bom, porra, golpe, mas conta o que sucedeu no dia exato. Antes, agente sabe, depois também, mas está faltando alguma coisa, inclusive da tua passagem por aqui. Não ficou claro, pelo menos para mim, o que aconteceu em Santarém, se foste preso, pegaste porrada, te cagaste, pediste penico. Alimenta, depois voltamos para a Transamazônica, não pensa que vais sair dessa de flosô.
- Vamos lá, mas porra, vê se não interrompe.
- Então não conta. Sem interromper, sem sacanear não tem a menor graça. Estás muito mal acostumado. Ninguém aqui é teu aluno. Falou o Chico Preto.
- Não sou mais professor, aliás, nunca fui. Quebrava o galho para descolar algum.
- Conta, caralho, mas não enrola nem busca muito fundamento. Começa assim: primeiro de abril de mil novecentos e sessenta e quatro.
- Primeiro de abril é o mote perfeito. Podes mentir a vontade. Provocou o Eduardo.
Quis protestar, mas resolvi ignorar. De outra maneira, não seria minha corriola.
***
SANTARÉM
Acordei por volta das seis, seis e meia da manhã, já nem me lembro bem. Era dia dois de abril do ano de mil novecentos e sessenta e quatro. Do lado de fora da porta do meu quartinho acanhado conversavam dois ou três colegas do Banco de Crédito da Amazônia onde trabalhávamos. De um, lembro-me bem. Era o Licurgo Anchieta, vocês conhecem, filho da D. Vanjoca, irmão da Coló e da Lucimar.
Comecei depois de algum tempo em silêncio como para organizar a memória. A corriola, para minha surpresa, permaneceu atenta e também silente. Eu estava numa espécie de transe, olhar vago, perdido, fitando algum ponto perdido no meio do rio Xingu, entre nós e a ilha do Arapujá. Continuei, sem impostação, pompa ou circunstancia. Como se sussurrasse em voz alta.
- Estão procurando pelo André. A polícia militar e o pessoal do Tiro de Guerra estão varejando toda a cidade. Diz-que é ordem expressa de Belém. Alguém falou em voz baixa.
...
Pandeiro é meu Nome (Composição: Chico da Silva/ Venâncio)
Falaram que meu companheiro
Meu amigo surdo, parece absurdo
Apanha por tudo
Ninguém canta samba
Sem ele apanhar
Não ouviram que seu companheiro
Amigo pandeiro
Também tira coco do mesmo coqueiro
Apanha sorrindo pra povo cantar
Pandeiro
Não é absurdo mas é o meu nome
Não me chamo surdo mas aguento fome
Pandeiro não come mas pode apanhar
Ao povo que vibra na força do som brasileiro
Não é só o surdo nem só o pandeiro
Tem uma família tocando legal
Você cantando, tocando e batendo na gente
Passando por tudo tão indiferente
Não conhece a dor do instrumental
Batuqueiro ê, batuqueiro
Cantando samba pode bater no pandeiro
Batuqueiro ê, batuqueiro
Cantando samba pode bater no pandeiro
O Surdo (Composição: Totonho e Paulinho Rezende)
Amigo, que ironia desta vida
Você chora na avenida
Pro meu povo se alegrar
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói
Mas você me entende
E diz que pancada de amor não dói
Meu surdo parece absurdo
Mas você me escuta
Bem mais que os amigos lá do bar
Não deixa que a dor
Mais lhe machuque
Pois pelo seu batuque
Eu dou fim ao meu pranto e começo a cantar
Meu surdo bato forte no seu couro
Só escuto este teu choro
Que os aplausos vêm pra consolar
Meu surdo, velho amigo e companheiro
Da avenida e de terreiro,
De rodas de samba e de solidão
Não deixe que eu vencido de cansaço
Me descuide desse abraço
E desfaça e compasso do passo do meu coração
Minha cara Marise, moro na pacata cidadezinha de Santa Luzia do Pará, no nordeste paraense, a 200 km da capital, [e assim como você] também sou blogueiro editor do blog, www.santaluzia-online.com, há 2 anos [desde o dia 10 de setembro de 2007].
O objetivo do meu blog sempre foi divulgar minha quase desconhecida cidade e abordar assuntos de interesse da comunidade luziense, onde, é claro, a política partidária não poderia ficar de fora. Como em todo interior, aqui, a política sempre foi comandada por coronéis, onde vale de tudo para manter-se e desfrutar do poder, mas jamais me calei diante dos poderosos e sempre que necessário, desafiando os donos do poder, denunciei as irregularidades da atual administração municipal que comanda a cidade desde 2004, e por conta disso já recebi dezenas de emails ameçadores contra minha integridade física e moral, mas jamais me deixei intimidar e continuei o meu trabalho.
Já tentaram de tudo para calar-me, fui denunciado na delegacia de polícia e no fórum da minha cidade, mas nada conseguiram por que não conseguiram provar nada contra mim. Desta vez, recebi um recado anônimo no mural de recados do meu blog um aviso de que minha página pessoal, pela qual pago uma mensalidade, será retirada do ar em 5 dias, a contar de hoje.
Sei de onde vêm as ameaças, e gostaria de contar com seu apoio para divulgar a perseguição de que estou sendo vítima nos rincões do estado, onde o poder e o dinheiro falam mais alto. Reinaldo, de Santa Luzia do Pará.
Sei que nosso saudoso Juvêncio enfrentou problema semelhante por conta do caso Seffer, por isso gostaria de contar com seu apoio, para divulgar essa nota no seu concorrido blog.
Obrigado.
EPITÁFIO
Meu amado blog foi pro espaço!
Hoje, por volta do meio-dia, abria a página com a seguinte mensagem:
"This blog has been deactivated because we believe it does not comply with the WordPress.com Terms of Service or advertising policy."
"Este blog foi desactivado porque acreditamos que não cumprir com os Termos WordPress.com de Serviço ou de publicidade política." (tradução googliana)
Mandei mensagem ao Wordpress, agorinha, às 16:48h, pedindo revisão da medida deles, e vou aguardar.
Uma pena se não conseguir... pô, uma lástima... se não reverter será meu 2º blog que o senhorio me despeja, sem mais, sem menos.
*era um blog mixuruquinha... uns vídeos do youtube aqui, uns textos acolá... umas fotografias minhas ali... um pouco da minha memória... pô, mas era meu!
:´(
**Os XIPAIAS estão se acabando. TODOS. Atualmente moram uns poucos, em um bairro em Altamira/PA. Bairro precário (se era para tirar de suas terras, de seu lugar imemorial, que, pelo menos fosse num tipo "Alphaville Exclusive" !!!).
Suas tradições, sua lingua, seus costumes, danças, tecnicas de caça e pesca, não estão sendo repassadas de pai para filho.